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Ciência identifica gene comum ao Alzheimer em diferentes populações

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em

saaudee.com - imagem.freepik

Estudo com cérebros de pessoas negras e brancas aponta o gene ADAMTS2 como possível caminho biológico compartilhado da doença

Um novo estudo em genética do cérebro trouxe um achado relevante para a compreensão do Alzheimer: um mesmo gene aparece fortemente associado à doença em diferentes populações, sugerindo que, apesar das desigualdades sociais e de saúde, pode existir um mecanismo biológico comum por trás do desenvolvimento do Alzheimer.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Boston University School of Medicine e publicada na revista Alzheimer’s & Dementia, uma das principais referências mundiais na área.

Um estudo inédito com foco em diversidade

O Alzheimer afeta pessoas negras em taxas significativamente mais altas do que pessoas brancas nos Estados Unidos. Parte dessa diferença está relacionada a fatores sociais e estruturais, como acesso desigual à saúde, educação e maior prevalência de doenças cardiovasculares e diabetes.

Apesar disso, a maioria dos estudos genéticos sobre Alzheimer historicamente excluiu populações negras, o que limita a compreensão completa da doença.

Este novo trabalho se destaca por ser o maior estudo já realizado com tecido cerebral de pessoas negrasdiagnosticadas com Alzheimer.

O que os pesquisadores analisaram

Os cientistas examinaram a expressão gênica — ou seja, o nível de atividade dos genes — em tecido cerebral pós-morte de 207 doadores afro-americanos, sendo:

  • 125 com Alzheimer confirmado por autópsia
  • 82 sem a doença (grupo controle)

As amostras vieram de 14 centros de pesquisa financiados pelo NIH nos Estados Unidos.

O objetivo era identificar quais genes estavam mais ativos em cérebros com Alzheimer em comparação aos cérebros saudáveis.

ADAMTS2: o gene que chamou atenção

Entre todos os genes analisados, ADAMTS2 se destacou de forma consistente. Ele apresentou atividade cerca de 1,5 vez maior em cérebros de pessoas com Alzheimer.

O achado ganhou ainda mais força quando os pesquisadores observaram que:

  • o mesmo gene também foi o principal sinal genéticoem um estudo independente com uma grande amostra de pessoas brancas.

Essa coincidência é rara em estudos genéticos do Alzheimer e sugere que o ADAMTS2 pode estar ligado a um processo biológico central da doença, independente da origem racial.

Por que isso é tão importante?

Até hoje, muitos genes associados ao Alzheimer:

  • Variam entre populações
  • Apresentam efeitos diferentes conforme o grupo estudado
  • Têm impacto limitado ou inconsistente

O fato de um mesmo gene aparecer com força em grupos distintos indica:

  • Um possível alvo terapêutico mais universal
  • Um caminho comum no desenvolvimento da doença
  • Maior chance de resultados aplicáveis em diferentes populações

Segundo os autores, isso eleva o ADAMTS2 como uma prioridade para pesquisas futuras, incluindo estudos sobre sua função no cérebro e seu potencial como alvo de novos tratamentos.

Biologia comum não elimina desigualdades

Os pesquisadores reforçam que esse achado não anula o papel dos fatores sociais, que continuam sendo fundamentais para explicar por que o Alzheimer atinge algumas populações com mais força.

O estudo mostra que:

  • A biologia pode ser compartilhada
  • Mas o risco real da doença é moldado por genética + ambiente + contexto social

Entender essa combinação é essencial para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento mais justo.

Identificar um gene comum ao Alzheimer em diferentes populações representa um avanço importante para a ciência. O achado ajuda a tornar a pesquisa mais inclusiva e aponta para mecanismos centrais da doença, que podem beneficiar milhões de pessoas no futuro.

A compreensão do Alzheimer exige diversidade, rigor científico e olhar amplo — e este estudo é um passo importante nessa direção.

Fonte científica:
Novel differentially expressed genes and multiple biological pathways for Alzheimer’s disease identified in brain tissue from African American donors
Revista Alzheimer’s & Dementia (2025)
Estudo conduzido pela Boston University School of Medicine
DOI: 10.1002/alz.70629

Imagem própria: SAAUDEE.COM

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