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Fim do espectro? Cientistas propõem novo modelo para o autismo

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saaudee.com - imagem.pixabay

Quando a psiquiatra britânica Lorna Wing propôs, em 1979, o termo “espectro do autismo”, seu objetivo não era criar uma nova categoria diagnóstica fechada, mas desmontar as categorias rígidas que dominavam a psiquiatria infantil da época.

Até então, o autismo era diagnosticado sobretudo a partir da descrição original de Leo Kanner, de 1943, como uma condição rara, bem delimitada e homogênea. Por não se encaixarem perfeitamente nos critérios clássicos, muitas crianças com dificuldades sociais, comunicativas e comportamentais acabavam fora da “caixinha”.

Pragmática e ética, a proposta de Wing buscava mostrar que o autismo não era um fenômeno raro e excepcional, mas parte de uma vasta gama de diferenças no desenvolvimento social e comunicativo. A ideia original da ferramenta era incluir, e não rotular de forma definitiva.

No entanto, agrupar várias condições distintas sob o guarda-chuva único do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) acabou criando um grupo tão vasto e heterogêneo que o diagnóstico perdeu sua especificidade. Hoje, duas pessoas diagnosticadas podem não compartilhar nenhuma característica comum.

Essa generalização excessiva tem um custo alto para a pesquisa científica. Ao estudar grupos tão misturados sob o mesmo rótulo, os resultados dos estudos se tornam inconsistentes ou inconclusivos. Na prática clínica, o que parecia inconclusivo se tornou um obstáculo científico.

Essa generalização cobra um preço alto da ciência. Ao misturar perfis biológicos opostos sob o mesmo rótulo, os estudos produzem resultados contraditórios: o que funciona para um grupo falha para outro. Com isso, o conceito de espectro, que nasceu para ser inclusivo, acabou virando um entrave para o progresso médico.

Isso porque, na prática, a ideia de uma linha reta do “leve” ao “grave” é uma simplificação perigosa. Ela mascara as necessidades reais do paciente, ignorando algumas vezes o que a ciência já provou: a biologia do autismo não segue uma régua única, mas é composta por múltiplas camadas e mecanismos distintos.

Subtipos genéticos e suas limitações

Estudos recentes — como o realizado por Benjamin Neale, Anders Børglum e colegas, publicado em 2019 na Nature Genetics — têm utilizado grandes bancos de dados, genética e neuroimagem para identificar padrões mais específicos dentro do autismo. Essas análises revelaram diferenças genéticas entre subtipos clínicos.

Os resultados sugerem que o que chamamos de “espectro” tem, na verdade, raízes biológicas distintas. Em outras palavras, não existe apenas um “gene do autismo”, mas sim centenas de variações que interagem de formas únicas. Isso reforça a tese de que o autismo não é único.

Fonte: cnnbrasil.com.br/saude/

Imagem própria: SAAUDEE.COM

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