Extras
Manual MSD: Recém-nascidos prematuros (pré-termo)
Recém-nascidos prematuros em geral pesam menos de 2,5 quilogramas e alguns chegam a pesar até mesmo 0,5 quilograma. Os sintomas com frequência dependem da imaturidade de diversos órgãos.
Geralmente, os recém-nascidos extremamente prematuros precisam ficar por mais tempo na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) do hospital até que seus órgãos consigam funcionar bem por si próprios.
Um recém-nascido prematuro tardio pode ter apenas alguns ou até mesmo nenhum sistema orgânico que precise de tempo para amadurecer. É possível que o recém-nascido prematuro tardio fique no hospital até conseguir regular a temperatura corporal e o nível de açúcar (glicose) no sangue, comer bem e ganhar peso.
Além disso, o sistema imunológico de todos os recém-nascidos prematuros está subdesenvolvido e, portanto, os recém-nascidos prematuros são suscetíveis a infecções.
Complicações do nascimento prematuro
A maioria das complicações da prematuridade é causada por órgãos e sistemas orgânicos que ainda não se desenvolveram ou amadureceram totalmente. O risco de haver complicações aumenta de acordo com o grau de prematuridade. O risco de complicações também depende, em parte, da presença de certos fatores de risco de prematuridade na mãe, como infecção, diabetes, hipertensão arterial ou pré-eclâmpsia.
Subdesenvolvimento do cérebro
Diversos problemas surgem quando um bebê nasce antes de o cérebro estar plenamente desenvolvido. Esses problemas incluem
Respiração inconsistente: A região do cérebro que controla a respiração regular pode estar tão imatura que os recém-nascidos prematuros têm uma respiração inconsistente, com pausas curtas na respiração ou períodos em que a respiração cessa completamente por 20 segundos ou mais (apneia da prematuridade).
Dificuldade em coordenar a alimentação e a respiração: As partes do cérebro que controlam os reflexos que envolvem a boca e a garganta são imaturas. Por isso, é possível que os recém-nascidos prematuros não consigam sugar e engolir normalmente, o que resulta em dificuldade em coordenar a alimentação com a respiração.
Sangramento (hemorragia) no cérebro: O recém-nascido muito prematuro corre um risco maior de apresentar hemorragia cerebral.
Atrasos no desenvolvimento de habilidades motoras, intelectuais, sociais e emocionais
Subdesenvolvimento do aparelho digestivo e fígado
A presença de subdesenvolvimento do aparelho digestivo e do fígado pode causar vários problemas, incluindo:
Episódios frequentes de regurgitação: O recém-nascido prematuro pode ter, de início, dificuldade com a alimentação. Ele não apenas tem reflexos de sucção e deglutição imaturos, como também seu estômago pequeno se esvazia lentamente, o que pode dar origem a episódios frequentes de regurgitação (refluxo).
Episódios frequentes de não tolerar a alimentação: O intestino do recém-nascido prematuro se movimenta muito lentamente e, com frequência, o recém-nascido prematuro tem dificuldade em defecar. Devido à movimentação lenta do trato intestinal, o bebê prematuro não consegue digerir facilmente leite materno ou fórmula láctea que são dados a ele.
Danos intestinais: Recém-nascidos muito prematuros podem desenvolver um quadro clínico sério, no qual uma parte do intestino fica gravemente lesionada e pode causar infecção (um quadro clínico denominado enterocolite necrosante).
Hiperbilirrubinemia: O recém-nascido prematuro tende a apresentar hiperbilirrubinemia. No caso de hiperbilirrubinemia o fígado do recém-nascidos demora a eliminar a bilirrubina (o pigmento biliar amarelo que resulta da decomposição normal de glóbulos vermelhos) do sangue. Assim, o pigmento amarelo se acumula, o que dá à pele e às partes brancas dos olhos uma tonalidade amarelada (icterícia). O recém-nascido prematuro tende a apresentar icterícia nos primeiros dias de vida. Em geral, a icterícia é leve e se resolve à medida que o recém-nascido consome quantidades maiores de alimentos e evacua com maior frequência (a bilirrubina é removida nas fezes, dando a elas sua cor amarela inicial). Em casos raros, níveis elevados de bilirrubina se acumulam e colocam o recém-nascido sob risco de desenvolver querníctero. Querníctero é um tipo de lesão cerebral causada por depósitos de bilirrubina no cérebro.
Subdesenvolvimento do sistema imunológico
O bebê que nasce muito prematuramente apresenta níveis baixos de anticorpos, que são proteínas do sangue que ajudam a proteger contra infecções. Os anticorpos da mãe atravessam a placenta no final da gestação e ajudam a proteger o recém-nascido contra infecção quando nasce.
Os recém-nascidos prematuros têm uma quantidade menor de anticorpos protetores da mãe e, portanto, correm um risco maior de ter infecções, sobretudo infecção sanguínea (sepse do recém-nascido) ou dos tecidos ao redor do cérebro (meningite). O uso de dispositivos invasivos no tratamento depois do parto, como cateteres nos vasos sanguíneos e tubos para respiração (tubos endotraqueais), aumenta ainda mais o risco de desenvolver infecções bacterianas sérias.
Subdesenvolvimento dos rins
Antes do nascimento, os resíduos produzidos pelo feto são removidos pela placenta e excretados pelos rins da mãe. Depois do parto, os rins do recém-nascido precisam assumir essas funções. A função renal é reduzida em recém-nascidos muito prematuros, mas melhora à medida que os rins amadurecem. O recém-nascido com rins subdesenvolvidos pode ter dificuldade em regular tanto a quantidade de sais e outros eletrólitos como a quantidade de água no organismo.
Problemas renais podem provocar insuficiência de crescimento e um acúmulo de ácido no sangue (um quadro clínico denominado acidose metabólica).
Subdesenvolvimento dos pulmões
Os pulmões de recém-nascidos prematuros podem não ter tido tempo suficiente para se desenvolver plenamente antes do nascimento. A formação dos alvéolos, ou seja, os sacos minúsculos que absorvem oxigênio do ar e removem o dióxido de carbono do sangue, não ocorre até em torno do último terço da gestação (terceiro trimestre). Além desse desenvolvimento estrutural, os tecidos dos pulmões precisam fabricar uma substância gordurosa denominada surfactante.
O surfactante reveste a parte interna dos alvéolos e permite que eles permaneçam abertos durante o ciclo respiratório, o que facilita a respiração. Sem esse surfactante, os alvéolos tendem colapsar no final de cada respiração, o que torna o ato de respirar muito difícil. Normalmente, os pulmões não começam a produzir o surfactante até aproximadamente a 32ª semana de gestação e a produção geralmente não é adequada até entre a 34ª e a 36ª semana.
O significado desses fatores é que o bebê que nasce prematuramente corre o risco de ter problemas de respiração, incluindo a síndrome da angústia respiratória (SAR). É possível que o recém-nascido com problemas de respiração precise da assistência de um ventilador (um aparelho que ajuda a soprar e a retirar o ar dos pulmões) para respirar.
Quanto mais prematuro for o recém-nascido, menor a quantidade de surfactante disponível e maior a probabilidade de ocorrência da síndrome da angústia respiratória. Não existe um tratamento para fazer com que a estrutura pulmonar amadureça com mais rapidez, porém, com nutrição adequada, os pulmões continuam a amadurecer com o passar do tempo.
Há duas abordagens que aumentam a quantidade de surfactante e reduzem a probabilidade e a gravidade da angústia respiratória:
Antes do nascimento: Corticosteroides, como a betametasona, aumentam a produção de surfactante no feto e são administrados à mãe por injeção quando se prevê a ocorrência de um parto prematuro, geralmente entre 24 e 48 horas antes do parto.
Os bebês que nascem prematuramente correm um risco maior de ficarem gravemente doentes se forem infectados pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Para prevenir o VSR, alguns bebês recebem um medicamento chamado nirsevimabe ou, se nirsevimabe não estiver disponível, um medicamento chamado palivizumabe. Além disso, gestantes com expectativa de parto durante a temporada do VSR podem receber uma vacina contra o VSR no terceiro trimestre. Essa vacina aplicada durante a gravidez ajuda a proteger o recém-nascido contra o VSR por cerca de seis meses após o nascimento, porque anticorpos protetores são transferidos da mãe para o feto através da placenta (consulte também Prevenção do VSR).
Subdesenvolvimento dos olhos
A retina é o tecido sensível à luz localizado no fundo do olho. A retina é alimentada por vasos sanguíneos que se encontram na sua superfície. Os vasos sanguíneos crescem a partir do centro até as margens da retina durante a gestação e não terminam de crescer até a gestação estar quase a termo.
No caso de bebês prematuros, especialmente os bebês menos maduros, é possível que os vasos sanguíneos parem de crescer e/ou cresçam de maneira anômala. Muitos bebês prematuros precisam de oxigênio extra e isso também pode fazer com que os vasos sanguíneos da retina cresçam de forma anormal. Os vasos anômalos podem sangrar ou criar tecido cicatricial que pode repuxar a retina. Esse distúrbio é chamado retinopatia da prematuridade e ocorre após o nascimento. Nos casos mais graves, a retina se descola do fundo do olho e causa cegueira.
Bebês prematuros, especialmente os que nascem antes de 31 semanas de idade gestacional, costumam receber exames oculares periódicos para que o médico possa tentar detectar algum desenvolvimento anômalo dos vasos sanguíneos. Se houver um risco elevado de ocorrer o descolamento da retina, é possível que o médico utilize tratamento a laser ou administre um medicamento denominado bevacizumabe.
O recém-nascido prematuro também corre um risco maior de apresentar outros problemas oculares, como miopia, desalinhamento dos olhos (estrabismo) ou ambos.
Fonte: msdmanuals.com/
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