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Cirurgiã explica por que é importante corrigir a má-formação na orelha
Quando um bebê nasce e há qualquer alteração no formato ou estrutura da orelha, o quadro é tratado como anomalia congênita ou má-formação. Casos considerados leves possuem mudanças apenas na estética do órgão, com os mais comuns sendo a “orelha de abano”. Já nos quadros mais complexos, as orelhas podem nascer proporcionalmente pequenas ou até não se desenvolverem completamente.
Podem ser realizadas correções em ambas situações, mas os casos mais complexos são urgentes pois podem afetar diretamente o futuro da criança.
“Quando não tratadas, as consequências variam. Em casos mais leves, o impacto costuma ser mais emocional, principalmente na infância e adolescência. Já nos mais complexos, com alterações do canal auditivo, pode haver dificuldade para ouvir, o que pode prejudicar o desenvolvimento da fala e a aprendizagem”, aponta a cirurgiã plástica e craniomaxilofacial Clarice Abreu, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Segundo o cirurgião plástico Juarez Avelar, especialista em reconstrução de orelha, uma em cada 4 mil crianças que nascem apresenta alguma anomalia congênita no órgão. “A má-formação pode ocorrer de um lado só ou bilateralmente, com incidência semelhante”, explica o especialista que também é membro da SBCP.
Quando intervenções cirúrgicas são indicadas
Não são todas as más-formações congênitas que necessitam de correção cirúrgica, especialmente as leves. Em alguns casos, a reparação pode ser feita através de moldes produzidos para o próprio paciente nas primeiras semanas de vida, tornando qualquer outro procedimento desnecessário.
Normalmente, os casos indicados para a cirurgia são os que impactam diretamente o desenvolvimento da criança, dificultando a audição, fala ou fechamento do canal do ouvido. Também há recomendação para aqueles que impactam a autoestima ou possam trazer sofrimento emocional.
“Qualquer alteração de forma, tamanho ou posição pode gerar repercussão emocional significativa — mas ela é individual. Cabe ao médico analisar cuidadosamente cada caso e indicar o tratamento adequado, sempre respeitando o momento e a decisão do paciente”, avalia Avelar.
Orelha de abano é uma das malformações mais comuns
Para avaliar a necessidade ou não, o exame físico já acontece logo após o nascimento ou nos primeiros meses de vida. O profissional investiga o formato e a abertura do canal auditivo por meio de testes auditivos, como o da orelhinha.
Em alguns casos, os médicos podem pedir exames complementares, como os de imagem, para observar a parte interna do ouvido. “Quanto mais cedo a avaliação for feita, melhores são as possibilidades de orientar a família e definir o momento ideal para cada tipo de intervenção”, diz Clarice.
Como a má-formação na orelha pode impactar a vida do paciente
Como está em uma parte bastante visível do rosto, qualquer alteração na orelha é facilmente notada. Na infância, a má-formação pode gerar brincadeiras maldosas e, consequentemente, traumas que as crianças podem levar para vida inteira.
Para Clarice, qualquer mudança no órgão pode provocar problemas que vão desde evitar situações sociais até interferências na fala, comunicação e desempenho escolar.
“O tratamento não é apenas uma questão estética — é também uma forma de cuidar da saúde emocional e do desenvolvimento da criança. Mas, tão importante quanto a cirurgia é o acolhimento da criança e da família. Cuidar dessas crianças é cuidar da audição, da autoestima e do futuro delas”, conclui a cirurgiã plástica.
Fonte: metropoles.com/saude
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