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Obesidade e Nutrição

Associação propõe novos critérios para diagnóstico e tratamento de obesidade

Publicado

em

saaudee.com - imagem.freepik

A proposta é da Associação Europeia para o Estudo da Obesidade (AESO) e sugere que o IMC é “insuficiente” para diagnosticar e fazer tratamento de obesidade.

O Índice de Massa Corporal (IMC) é uma das principais ferramentas utilizadas atualmente para o diagnóstico da obesidade. Obtido através do peso e da altura de uma pessoa, o índice aponta níveis de magreza, sobrepeso e grau de obesidade, orientando o trabalho de profissionais de saúde. No entanto, um artigo publicado recentemente na Nature Medicine sugere que o sistema é “insuficiente” e que outros critérios devem ser considerados para diagnosticar e controlar a doença.

Elaborado por especialistas da Associação Europeia para o Estudo da Obesidade (AESO), o artigo propõe a modernização do diagnóstico e tratamento da obesidade, incorporando as últimas descobertas e avanços na área. “Uma novidade importante do nosso quadro diz respeito ao componente antropométrico do diagnóstico.

A base para essa mudança é o reconhecimento de que o IMC sozinho é insuficiente como critério diagnóstico e que a distribuição da gordura corporal tem um efeito substancial na saúde”, afirmam os autores.

Propostas do Novo Quadro de Tratamento de Obesidade

Gordura Abdominal: A nova abordagem destaca a gordura abdominal (visceral) como um importante fator de risco para a saúde, incluindo em pessoas com baixo IMC e sem sinais clínicos evidentes de obesidade.

Esta atualização inclui indivíduos com IMC entre 25 e 30 (considerado sobrepeso) que possuem aumento de gordura abdominal e apresentam complicações médicas, funcionais ou psicológicas associadas à obesidade.

Opiniões de Especialistas

  • Paulo Miranda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, afirma que a proposta da AESO é uma tentativa de considerar a obesidade como uma doença crônica, progressiva e complexa. Segundo ele, o diagnóstico deve levar em consideração não apenas o IMC, mas também outros fatores como a relação cintura/quadril e o excesso de adiposidade.
  • Bruno Halpern, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), destaca a inovação de incluir pessoas com IMC acima de 25 e circunferência abdominal aumentada no diagnóstico de obesidade. Ele explica que a relação cintura/altura pode ser um indicador de alto risco.
  • Ricardo Cohen, coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, considera a definição proposta pela associação inadequada. Ele acredita que focar apenas na distribuição de gordura é insuficiente e que a obesidade deve ser diagnosticada por sinais e sintomas específicos.

Recomendações para o Tratamento de Obesidade

Os autores do artigo da AESO afirmam que os pilares para o tratamento da obesidade devem incluir modificações comportamentais, como terapia nutricional, atividade física, redução do estresse e melhora do sono, além de terapia psicológica, medicamentos para obesidade e procedimentos metabólicos ou bariátricos.

Eles defendem que o uso de medicamentos e procedimentos deve considerar a carga substancial da doença, independentemente dos valores de IMC.

Perspectivas no Brasil pelo Tratamento de Obesidade

No Brasil, a Abeso e a SBEM também propõem a reclassificação do IMC e incluem metas de tratamento baseadas na perda percentual de peso, utilizando os termos “obesidade reduzida” ou “obesidade controlada”.

Bruno Halpern afirma que focar na melhoria da saúde através de perdas modestas de peso é uma estratégia mais realista e sustentável, mudando a percepção sobre o tratamento da obesidade.

Os novos critérios propostos pela AESO e pelas associações brasileiras representam um avanço significativo na abordagem da obesidade, proporcionando uma visão mais abrangente e personalizada para o diagnóstico e tratamento da doença. Estes critérios buscam melhorar a saúde e a qualidade de vida dos pacientes, indo além do simples cálculo do IMC.

Referência

Adaptado da CNN Brasil.

Imagem própria: SAAUDEE.COM

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