Exercícios Físicos & Saúde
Além da estética: por que ter músculos e perder barriga é bom para cérebro
Quando nos matriculamos em uma academia, logo pensamos nos resultados estéticos que a atividade física pode nos oferecer: mais músculos, definição e perda de gordura. Isso realmente acontece a quem se dedica à prática e mantém uma boa alimentação, mas os benefícios podem ir além: um novo estudo mostrou que ganhar músculos e perder barriga é bom para evitar o envelhecimento do cérebro.
O trabalho, que será apresentado na próxima semana na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte, mostrou que a maior massa muscular combinada com uma menor proporção de gordura visceral está associada a uma idade cerebral mais jovem. Isso reduz o risco de doenças neurológicas, como Alzheimer.
A idade cerebral de uma pessoa é estimada por meio de uma ressonância magnética estrutural do cérebro e pode não acompanhar a idade cronológica (aquela que temos a partir do dia em que nascemos).
Para os pesquisadores, a massa muscular, monitorada por ressonância magnética corporal, também pode ser um marcador indireto para diversas intervenções que visam reduzir a fragilidade e melhorar a saúde cerebral.
“Embora seja sabido que o envelhecimento cronológico se traduz em perda de massa muscular e aumento da gordura abdominal oculta, este estudo demonstra que esses indicadores de saúde estão relacionados ao próprio envelhecimento cerebral”, afirma Cyrus Raji, professor no Departamento de Radiologia do Instituto de Radiologia Mallinckrodt da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, Missouri.
“Ele mostra que a massa muscular e a massa gorda, quantificadas no corpo, são indicadores-chave da saúde cerebral, acompanhando o processo de envelhecimento do cérebro”, completa.
Como o estudo foi feito?
O estudo, que está em andamento, recrutou 1.164 pessoas saudáveis que foram examinadas por meio de ressonância magnética de corpo inteiro. A idade cronológica média dos participantes era de 55,17 anos.
Os pesquisadores combinaram imagens de RM com sequências ponderadas em T1, uma técnica que produz imagens em que a gordura aparece brilhante e o fluido aparece escuro. Isso permite a obtenção de imagens otimizadas de tecido muscular, adiposo e cerebral.
Um algoritmo de inteligência artificial (IA) foi utilizado para quantificar o volume muscular total normalizado, a gordura visceral (gordura abdominal oculta), a gordura subcutânea (gordura sob a pele) e a idade cerebral.
Os pesquisadores descobriram que uma maior proporção de gordura visceral em relação à massa muscular estava associada a uma idade cerebral mais avançada, enquanto a gordura subcutânea não apresentou associação significativa com a idade cerebral.
“Os participantes com mais massa muscular tendiam a ter cérebros com aparência mais jovem, enquanto aqueles com mais gordura abdominal oculta em relação à massa muscular apresentavam cérebros com aparência mais envelhecida”, afirma Raji.
“A gordura logo abaixo da pele não estava relacionada ao envelhecimento cerebral. Em resumo, mais massa muscular e uma menor proporção de gordura visceral em relação à massa muscular estavam associados a um cérebro mais jovem”, completa.
Para o pesquisador, o estudo reforça como a saúde do corpo e a saúde do cérebro estão intimamente ligadas. Além disso, as descobertas se mostraram relevantes diante da popularização de medicamentos para obesidade, como o Wegovy e o Mounjaro. Embora sejam eficazes e seguros para a perda de peso, esses remédios estão ligados à perda de massa muscular.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br/saude/
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