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Endometriose aumenta risco de câncer de ovário? O que pacientes devem saber
Receber o diagnóstico de endometriose costuma gerar muitas dúvidas. Entre elas, uma das mais frequentes é se a doença pode aumentar o risco de câncer de ovário. A resposta exige um pouco de contexto, porque estamos diante de um tema que frequentemente gera interpretações equivocadas.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. Ela ocorre quando um tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora da cavidade uterina, provocando inflamação, dor pélvica, alterações intestinais, desconforto nas relações sexuais e, em alguns casos, infertilidade.
Nos últimos anos, diversos estudos passaram a investigar a relação entre a endometriose e o câncer de ovário. Uma ampla revisão internacional publicada em 2026 reforçou aquilo que a literatura científica já vinha observando: existe uma associação entre a endometriose e determinados subtipos de câncer ovariano, especialmente os carcinomas endometrioide e de células claras.
No entanto, a principal mensagem desse estudo não é que mulheres com endometriose devem viver preocupadas com a possibilidade de desenvolver câncer. Pelo contrário. A informação mais importante está na forma como esses números precisam ser interpretados.
Risco relativo não é a mesma coisa que risco real
Quando lemos que uma condição aumenta duas, três ou até quatro vezes o risco de determinada doença, é natural imaginar um cenário alarmante. Mas na medicina é fundamental diferenciar risco relativo de risco absoluto.
A revisão mostrou que mulheres com endometriose apresentam risco relativo maior para alguns tipos de câncer de ovário. Entretanto, quando observamos o risco absoluto, percebemos que a chance real continua baixa.
Na população feminina geral, o risco de desenvolver câncer de ovário ao longo da vida gira em torno de 1,4%. Entre mulheres com endometriose, esse percentual sobe para aproximadamente 1,9%.
Isso significa que a grande maioria das pacientes com endometriose jamais desenvolverá câncer de ovário.
É justamente essa interpretação equilibrada que deve orientar a conversa entre médico e paciente. Existe uma associação científica comprovada, mas ela não deve ser transformada em motivo de pânico.
Quem merece acompanhamento mais atento?
Nem toda endometriose se manifesta da mesma forma. Existem quadros mais superficiais e outros mais complexos, como os endometriomas ovarianos e a endometriose infiltrativa profunda.
Alguns estudos sugerem que esses grupos podem apresentar risco maior quando comparados à população geral. Por isso, o acompanhamento médico individualizado continua sendo essencial.
Mais importante do que buscar sinais de câncer é monitorar adequadamente a própria endometriose, avaliando sintomas, evolução das lesões, impacto na fertilidade e qualidade de vida.
Cada paciente possui uma história clínica diferente, e as decisões sobre exames e tratamentos devem levar em consideração esse contexto.
Exames preventivos são necessários?
Uma dúvida comum é se mulheres com endometriose deveriam realizar exames periódicos para rastrear câncer de ovário.
Até o momento, as evidências científicas não apoiam essa estratégia. As principais sociedades médicas e os estudos mais recentes não recomendam exames de rastreamento oncológico de rotina nem cirurgias preventivas apenas pelo fato de a paciente ter endometriose.
Isso acontece porque não há demonstração de benefício capaz de justificar intervenções mais agressivas em mulheres cujo risco absoluto permanece relativamente baixo.
O foco deve continuar sendo o acompanhamento regular, a avaliação clínica adequada e o controle dos sintomas da doença.
Recebi o diagnóstico. O que devo fazer agora?
O diagnóstico de endometriose não deve ser encarado como uma sentença. Atualmente existem diversas opções de tratamento capazes de controlar os sintomas, preservar a fertilidade quando necessário e melhorar significativamente a qualidade de vida.
Também é importante lembrar que nem toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar, precisará de cirurgia ou apresentará evolução para formas graves da doença.
Buscar informação de qualidade, manter acompanhamento especializado, realizar os exames indicados pelo seu médico e cuidar da saúde física e emocional são atitudes muito mais importantes do que alimentar preocupações baseadas em interpretações incompletas dos estudos.
Fonte: cnnbrasil.com.br/saude/
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