Vacinação
Restrita no Brasil, vacina de HPV zera mortes por câncer na Inglaterra
A vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano) alcançou um marco histórico na saúde pública mundial. Dados de um estudo populacional realizado na Inglaterra mostram que não houve mortes por câncer de colo do útero entre mulheres de 20 a 24 anos que receberam o imunizante na adolescência.
Enquanto o país europeu colhe os frutos de uma cobertura vacinal superior a 80%, o Brasil ainda enfrenta gargalos socioeconômicos e geográficos que impedem a erradicação da doença.
Resultados na Inglaterra
A pesquisa, publicada na revista científica The Lancet, analisou dados de mortalidade entre 2001 e 2024. Entre as mulheres vacinadas aos 12 ou 13 anos, a redução da mortalidade foi de 100%. O estudo estimou que, até o final de 2024, o programa nacional de imunização britânico evitou aproximadamente 200 mortes pela doença.
Os pesquisadores destacam que a alta adesão ao programa escolar, que atingiu entre 88% e 90% de cobertura antes da pandemia, foi determinante para o sucesso da estratégia.
Segundo os especialistas, os achados comprovam que a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar o câncer cervical como problema de saúde pública é alcançável.
O cenário da vacinação no Brasil
No território brasileiro, o imunizante é oferecido gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos como imunossuprimidos e vítimas de violência sexual.
Embora a cobertura vacinal tenha crescido — passando de 79,1% em 2021 para 86,1% em 2025 entre as meninas —, o país ainda convive com disparidades acentuadas.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) indicam que a prevalência de não vacinação é de 26,4%, variando drasticamente entre os estados. Estados como Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul registram os maiores índices de adolescentes sem nenhuma dose.
“A vacinação contra o HPV é uma forma de proteção individual, mas que também impacta coletivamente”, pondera Dr. Fábio Argenta, diretor médico da Saúde Livre Vacinas.
Desafios para a ampliação vacinal
A expansão da proteção contra o HPV no Brasil enfrenta três obstáculos principais:
- Desigualdades Socioeconômicas e Geográficas: A não vacinação é mais frequente em áreas rurais e entre adolescentes cujas mães possuem menor nível de escolaridade. Um estudo constatou que contraditoriamente, em alguns estados, famílias de maior renda também apresentam resistência devido à falta de campanhas específicas fora do ambiente escolar público.
- Desinformação: O avanço de movimentos antivacina e a difusão de notícias falsas geram hesitação entre pais e responsáveis. Mitos sobre a estimulação precoce da vida sexual e medos infundados sobre a segurança do imunizante são barreiras constantes para as equipes de saúde.
- Conhecimento e acesso: Muitos adolescentes e responsáveis desconhecem a relação direta entre o vírus e o desenvolvimento de tumores no pênis, ânus e orofaringe, limitando a percepção da vacina como um método de prevenção de câncer.
Para especialistas, o monitoramento detalhado das desigualdades regionais é essencial para que as políticas públicas alcancem os grupos mais vulneráveis e garantam que o sucesso observado na Inglaterra se repita no Brasil.
Fonte: cnnbrasil.com.br/saude/
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